sábado, 15 de maio de 2021

Jaque Araújo

 


Eu queria escrever poesia,

mas meu coração ainda sangra, lamenta. Eu 

queria escrever poesia,

mas meu coração ainda chora, é difícil até cantar.


Eu queria escrever poesia, mas 

só consigo externar tristeza e 

dor.


Pela mãe, nessa pandemia, perdida;

 Pela filha, morta nascida,

Pelas vidas que ainda

tanto seriam vividas.

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O primeiro contato que tive com poesia foi com Castro Alves. A primeira que escrevi eu tinha 11 anos de idade com o título "A Barca". Depois disso fui escrevendo e guardando em meu caderno e, quando havia oportunidade, mostrava a alguns amigos. Normalmente minha inspiração para escrever é de madrugada, uma agonia na mente borbulhando ideias!!! A motivação vem das experiências e emoções vividas. 

Ana Tomich

 


 

Água


Eu te vi

mergulhei n'água translúcida 

vi o fundo

então voltei


Água que brota, escorre, avoluma-se, eleva-se e 

torna matar a sede

e torna a matar a sede


Eu te vi mergulhei 

no céu

e não pude me agarrar 

Então aprendi a voar


Me soltar, deixar levar 

por caminhos invisíveis 

Infinda luz

Dançar me dá liberdade 

Dançar me dá liberdade


Eu te vi

e me encontrei no 

vazio, no silêncio, nas entranhas 

Me despi de todo engano 

Então me entreguei

 

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Ana Tomich é compositora, educadora musical e musicista. Formada em Licenciatura em Música e Mestrado em Educação Musical pela UFBA. Se reconheceu compositora a partir da experiência no Sonora/Vale do Capão. Tem preferência em participar de grupos musicais composto por mulheres.Fez parte do Samba das Moças e do Trio Fuxiqueiras.Atualmente é integrante do trio The Sweet Reggae e da banda Yayáassemba.

Patrícia Oliveira

 


 Das barrancas do Vaza Barris 

Jagunças,cangaceiras
vaqueiras,catingueiras,
sertanejas, mestiças,
rezadeiras,benzedeiras,
parteiras,beatas,mães,
indígenas, negras,
onde estão elas?

Nas árvores,nas trincheiras
Nas pausas do entardecer?
nas tocaias,nas serras azuladas
no recanto do canto das araras?
cantadeiras? 

No profundo raso da catarina?
Catarinas?Marias? Bentas?
Quais seus nomes?
seus sonhos? desejos?
canções?crenças?
amores? dores? 

Como seria o som de suas vozes?
a cor de seus olhos?
a cor de suas faces?
o cheiro de suas lutas?  

Das águas doces
das amarguras da seca
Buscamos vossas memórias
farejamos a história
E haveremos de encontrá-las!

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Sou Patricia Oliveira Silva, nascida em Uauá , sertão da Bahia. Sou professora de História, capoeirista e também escrevo. Atualmente estou terminando o mestrado , no qual estudo as mulheres de Canudos. A questão de gênero sempre foi presente em minha vida desde criança, agora depois de adulta busco na minha narrativa falar das mulheres da minha região, trazendo suas lutas, seus anseios e seu cotidiano de resistência.

Cissa Dias

 


Cinco tiros invadiram a sinfonia de grilos, 


                    CINCO TIROS.


Duas motos atravessaram 

o silêncio, 

a escuridão.


 Gritos irromperam o vazio,

tinham cheiro de morte, 

tinham gosto de dor.


O corpo preto jazia inerte na sala de casa. Já 

não sentia nada.

A dor ficou pra quem o amava.


Os olhos em volta não tinham compaixão, Eram 

de curiosidade.

Ninguém notou a dor daquela mulher, 

Ninguém sentiu que ela também sangrava.

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Licencianda em Teatro pela Uesb, escrevo desde adolescente, em 2019 participei.de diversos espetáculos em Jequié e região.

Desirée Britto

 


Me desculpe, mas

eu preciso ser uma parte 

parte inteira


Em espelhos outros,

outros espelhos do meu 

Umbigo.


Umbigo marcado 

Fronteira irrefutável

Minha pele demarca um território


O outro que me desculpe o 

incomodo,

mas estamos todos atados a um grande cordão 

umbilical 

com pai e mãe absolutamente desconhecidos.

 

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Baiana, nascida em Salvador, Mãe carioca e pai Uruguaio, Avó materna 

 

Soteropolitana. Herança de comportamentos ditos fora do esperado para 

 

uma mulher, cada qual em seu tempo e espaço. Eu, fruto de árvore, 

 

semente de fruto e aprendendo a crescer árvore, descendo raízes no 

 

escuro, fincada na terra e subindo mediante aceitação de convocatória do 

 

 sol. 

 

Viajante, fantasiosa, acredito em utopias, psicóloga de formação, 

 

artista sem direito de escolha, ser humana.  

sábado, 1 de maio de 2021

Saiu o Resultado!

 




Segue abaixo a lista das poetas contempladas:
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Vitória Matos
Janine da Silva
Andreza Benguela
Naiane Miranda
Carol Barbosa
Louise Queiroz
Keilinha
Raiza Canuta
Jaisy Cardoso
Laura Franco
Priscila de Freitas
Rê Sonante
Carla Dantas
Neila Kadhí
LARA BESSA
Tereza Sá
Alice Cunha
Cissa Dias
Jeane Sánchez
Natalyne Santos
Mari Gonçalves
Najara Gonçalves
Eunice Silva
Paula Dione
Ana Fátima
Jaque Araújo
Desirée Britto
Ana Tomich
Patricia Oliveira
Lara Nunes

Logo mais conheceremos também as poetisas classificadas, fique de olho!
Os poemas curados serão publicados aqui no blog no dia 15.05
e aos poucos serão publicados também no Instagram @ana.luisa.barral


terça-feira, 13 de abril de 2021

Aniversário de Ana Montenegro

 



 

 

 HOJE ANA MONTENEGRO completaria 106 anos, ariana valente, escreveu este apelo para as mulheres que, apesar de ter sido escrito a 38 anos atrás, após a morte da líder sindical Margarida Maria Alves, ainda é muito recente.
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Quantas Margaridas cabem num luto?
Quantas mulheres cabem numa luta?

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Dia 17  Às 21h tem Bilhete em Papel de Arroz numa Primavera Tardia: Pinceladas d'um gozo que cura e extasia!!!
Com a divulgação das contempladas no prêmio Ana Montenegro.
só vem!
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arte: Paula Harumi Honda